The B Box

07/09/2009 · Deixe um comentário

Fim.

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Pelo tempo que durar

01/09/2009 · 4 Comentários

Nada vai permanecer no estado em que está

eu só penso em ver você

eu só quero te encontrar

Geleiras vão derreter, estrelas vão se apagar

e eu pensando em ter você pelo tempo que durar

Coisas a se transformar

para desaparecer

e eu pensando em ficar a vida a te transcorrer

e eu pensando em passar pela vida com você.

Adriana Calcanhotto, Marisa Monte, Pelo Tempo Que Durar.

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P.I.

17/08/2009 · Deixe um comentário

Meu amor é uma febre.

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Cavalos Selvagens

14/08/2009 · 2 Comentários

Homens, mulheres e crianças – todos com seus dias previstos e organizados. 

As obedientes engrenagens da máquina funcionando com suas rodinhas ensinadas, azeitadas para o movimento que é uma fatalidade, taque-taque taque-taque… Apáticos e não apáticos, convulsos e apaziguados, atentos e delirantes em pleno funcionamento num ritmo implacável.

Às vezes, por motivos obscuros ou claros, uma rodinha da engrenagem salta fora e fica desvairada além do tempo, do espaço – onde? A máquina prossegue no seu funcionamento que é uma condenação, apenas aquela rodinha já não faz parte dessa ordem.

“É um desajustado”. Há que readaptá-lo depressa à engrenagem familiar e social, apertar esses parafusos docemente frouxos.

Pronto, passou a crise? Todos concordam, ele está ótimo ou quase. Mas às vezes o olhar tem aquela expressão que ninguém alcança e volta o fervor antigo, cólera e gozo nos descompromissamentos e rupturas – aguda a lembrança violenta do cheiro de mato que recusa o asfalto, o elevador, a disciplina, ah! Vontade de fugir sem olhar para trás, desatino e alegria de um cavalo selvagem.

Inexperiência ou cansaço? Cavalos e homens acabam por voltar à engrenagem. Muitos esquecem mas alguns ainda se lembram e o olhar toma aquela expressão que ninguém entende, ânsia de liberdade. De paixão.

Em fragmentos de tempo voltam a ser inabordáveis mas a máquina vigilante descobre os rebeldes e aciona o alarme, mais poderoso o apelo, taque-taque TAQUE-TAQUE! Inútil. Ei-los de novo desembestados: “Laçá-los é o mesmo que laçar um sonho”.

Lygia Fagundes Telles, A disciplina do amor. 2 ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. p. 131-2 (com cortes).

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Oriente

04/08/2009 · Deixe um comentário

De onde o resgatariam? De si mesmo, de uma estrutura profunda que ele mesmo arquitetara, meio labirinto meio poço, estrutura da qual não conhecia o fim ou o começo? E como podia almejar que alguém o salvasse, e de que? Que alguém, por destino, trouxesse um raio de luz àquela profunda escuridão? 

Ele percebia, a passos lentos – porque era uma caminhada –, que seu exército era de apenas um soldado. Um homem miúdo, pele e ossos, com olhos de abismo. Nenhuma esperança romântica seria capaz de resistir a uma fratura tão exposta.

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Cat Power, Lived In Bars

26/07/2009 · Deixe um comentário

We’re so glad you will come back

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Retrato

18/07/2009 · 2 Comentários

O tempo poderia passar muito depressa ou tornar-se uma preguiça de três dedos, a pergunta seria a mesma. A chuva, torrencial, unindo Deus e o diabo lá fora, poderia deixar de existir e deixá-lo ir, mas a pergunta, o questionamento torturador, onipresente, seria o mesmo: quem ele era?

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Cat Power, The Greatest

13/07/2009 · Deixe um comentário

Once I wanted to be the greatest

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Bjork, All Is Full Of Love

11/07/2009 · Deixe um comentário

You’ll be given love

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Clarice,

07/07/2009 · Deixe um comentário

Can Hear My Heart Beat, Felipe Lima

meu coração não cabe dentro desta caixa.

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MGMT, Electric Feel

05/07/2009 · 2 Comentários

Turn me on with your electric feel

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O Corpo

29/06/2009 · 1 Comentário

por Felipe Lima

Fotografar

v.t. Obter uma imagem pela fotografia. / Fig. Conservar no espírito uma imagem precisa de alguma coisa.

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Paolo Nutini, Candy

27/06/2009 · Deixe um comentário

Darling I’ll bathe your skin, I’ll even wash your clothes

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Paolo Nutini, Candy&Coming Up Easy

27/06/2009 · Deixe um comentário

I’ll be there waiting for you

Oh, you kiss my lips again and again and again,
And then again

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Paolo Nutini, Pencil Full Of Lead

26/06/2009 · Deixe um comentário

I’ve got a shelf full of books
And most of my teeth
Two pairs of socks
And a door with a lock
I’ve got food in my belly and a
License for my telly
And nothin’s gonna bring me down

Best of all
I’ve got my baby
She’s mighty fine and she’s all mine
And nothin’s gonna bring me down

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Paolo Nutini, Last Request

26/06/2009 · Deixe um comentário

Sure I can accept that we´re going nowhere

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R.I.P.

25/06/2009 · Deixe um comentário

Jacko!

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Inverno

23/06/2009 · Deixe um comentário

LeoNo dia em que fui mais feliz eu vi um avião se espelhar no seu olhar até sumir.

De lá pra cá, não sei, caminho ao longo do canal. Faço longas cartas - pra ninguém - e o inverno no Leblon é quase glacial.

(Há algo que jamais se esclareceu: onde foi exatamente que guardei, naquele dia mesmo, o leão que sempre cavalguei? Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só. No deserto, sem saudades, sem remorso, só. Sem amarras, barco embriagado ao mar).

Não sei o que em mim só quer me lembrar que um dia o céu reuniu-se à terra, um instante, por nós dois, pouco antes do ocidente se assombrar.

Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Inverno.

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Supergrass, Time

20/06/2009 · Deixe um comentário

The time is on the way, my love
I know I’m going away, my love

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Sete coisas que eu curto

20/06/2009 · 1 Comentário

A convite do Guto, do Quase Poema

1Cinema

Um filme nunca é só um filme. É entretenimento mas também pode – e deve – servir como intrumento de transformação. Há algo muito mágico e verdadeiramente transformador no cinema. Sou prova disso.

2Música

Eu certamente seria músico - se tivesse talento e não fosse tão tímido.

3Fotografia

É fazer o tempo parar e não se dar conta. Mágico.

4Comida

Felicidade é ter a geladeira cheia.

5Natureza

B, de The B Box, vem de Barefoot (descalço). Pés no chão, chuva, praia, grama, sombra, sol, bichos, planeta. Amo.

6Gente

Com todas as diferenças e semelhanças.

7Conexão

Com Deus, com o mundo, com a rede mundial de computadores. Gosto de saber que posso me ligar com o que está fisicamente distante.

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Keane, Spiralling

14/06/2009 · Deixe um comentário

We’re spiralling

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A História das Coisas (The Story Of Stuff)

11/06/2009 · 1 Comentário

com Annie Leonard

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Sade, By Your Side

06/06/2009 · Deixe um comentário

If you want to cry
I am here to dry your eyes
And in no time you’ll be fine

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Volcano

06/06/2009 · Deixe um comentário

Vida longa e próspera.

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Daft Punk, One More Time

30/05/2009 · Deixe um comentário

Music’s got me feeling so free

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O Tempo e O Resto

23/05/2009 · 1 Comentário

The Chair, Felipe Lima

Eu queria falar acerca do tempo e das coisa trazidas e levadas. Mas não posso, pois do tempo não sei nada a não ser do peso de viver trezentos anos e não tê-los vivido. Eu gostaria de elucubrar a respeito das rugas e das emoções mais humanas e indissipáveis. Eu não consigo. E certamente desistiria não fosse um conselho vindo de quem não poderia aconselhar nada: ame.

Eu certamente quereria as profundezas da convivência e do espírito pois a superfície é demasiadamente decadente e pobre de tudo. Eu me cansaria da miséria da alma. Dos espíritos pequenos e das imobilidades das visões. E transporia o muro porque a caminhada é destino.

Eu desejaria viver muitos anos de paz, sem estar, como Clarice, ocupado em consertar os erros cometidos tentando, em vão, acertar. E foram tantos. 

Eu não me preocuparia com redenções, ou esperaria compreensões, tampouco relevaria julgamentos. Nada.

Eu amaria, como me foi ensinado.

Enquanto não estou pronto faço chegar a ti esse pedaço. Cuide para que permaneça intacto. É que eu preciso caminhar. A caminhada é destino. Eu preciso do tempo e do resto que deixei. Dos erros. Eu os quero.

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Desgraça (ou Uma leitura rápida sobre os fatos do mundo)

21/05/2009 · 3 Comentários

Brad Pitt mastiga copo plástico no Festival de Cannes

Eu deveria levar em consideração que a “notícia” (?) acima vem de um portal especializado em celebridades e tem como outras manchetes pérolas como “Joana Prado compra legumes” e “Conectados: Danielle Winits e Cássio Reis não desgrudam do celular”, mas eu não consigo deixar de crer que futilidades e amenidades têm de ter um limite.

Eu adoeci por conta dessa chamada. Tive vertigens. Deus, o nordeste está se afogando! Tudo bem, é um site sobre celebridades, não é mesmo?

E a Susana Vieira? Dona Susana, Dona Susana, pessoas como a senhora me entristecem de uma maneira…

Não pelo seu vício por adolescentes, coisa que não julgo, mas por sua indesculpável arrogância e falta de fineza. Vejam vocês e tirem suas conclusões: http://www.youtube.com/watch?v=f2GqH1F-Fj0.

Eu acho que tudo isso é uma grande piada de mau gosto, não? Eu posso diagnosticar o fim do mundo desde já ou é muito pressupor um apocalipse por conta dessas “bobagens”? Eu é que sou muito exagerado? Que é isso, enfim?

*Meu estômago está rodando. Minha cabeça dói. É algo físico também.

Sei que não posso e nem devo generalizar - isso seria absurdo – mas posso e devo dizer que a maior parte da mídia que se faz hoje é veneno pro nosso cérebro. E começo a acreditar que pra alma.

*Vocês conseguem me acompanhar? Estou conseguindo ser claro o suficiente? Eu tenho medo de não ser compreendido e ser visto como um pobre neurótico. Dramático.

Outra: G1 Cinema, essa semana, trazia uma matéria sobre um filme que me chama a atenção desde o início do ano, chamado “Precious”. A chamada?

Estreante gordinha rouba a cena em ‘filme de Mariah Carey’

Me digam: o “gordinha” era mesmo necessário? Preciso sinalizar que quem chama a atenção no longa é uma jovem de 150 quilos? Não bastaria dizer que era uma atriz iniciante? Que com inegável carisma cria empatia com o público e o faz torcer pela personagem sofrida?

*Meu estômago.

Que critérios de noticiabilidade são esses que esses jornalistas de merda e seus editores de merda estão empregando?

Adendo: o que me deixa menos mal é que sei que existem rumos editoriais diferentes. Que existem homens e mulheres que fazem parte do universo da comunicação e que pensam diferente, agem diferente, sugerem e suam por pautas diferentes. Um exemplo? Com prazer: revista Trip, nº 176, abril de 2009. Uma edição inteiramente dedicada à praia. Com textos quase poéticos, instigantes, questionadores, reflexivos, informativos. Sem reduzir-se meramente a uma técnica, a um fazer jornalístico mecânico, obrigatório, irresponsável.

É diferente. Simplesmente.

Porque não podemos fazer diferente? Em sentido amplo, eu digo. Eu não quero dizer revolucionar para não parecer demagogo, utópico. Mas simplesmente fazer diferente. Você assina a Veja? Compre na banca uma Trip, uma Caros Amigos, Carta Capital. Só pra experimentar. Ouça as notícias no rádio. Sei lá, caramba, inverta as ordens, quebre o mecanismo.

Não aceite a vida como ela é. Não aceite o mundo como ele está.

Vocês sabiam que as praias vão desaparecer?

Eu não sei o que posso fazer para impedir. Eu não sei o que posso fazer diferente.

Mas eu tenho tentado. Tentado pesado. Pelo menos isso. Nem que seja com um desabafo assim, via WordPress, num blog com três leitores.

Vale a intenção.

E abaixo a Susana Vieira!

*Minha cabeça.

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Fleet Foxes, Ragged Wood

20/05/2009 · Deixe um comentário

The spring is upon us, follow my only song

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Morcheeba, World Looking In

19/05/2009 · Deixe um comentário

Don’t stop just yet
We’ ve got the world looking in our window

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Vende-se

14/05/2009 · 6 Comentários

A prostituição masculina em Brasília: como vivem e trabalham os garotos de programa da capital federal

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Da chegada das caravelas portuguesas em território indígena brasileiro à hegemonia da rede mundial de computadores muito falou-se a respeito da prostituição no país – com ênfase, quase sempre, na condição da mulher perante a atividade de usar o corpo como ganha-pão. No entanto, embora haja poucos números precisos que possam servir como comprovação, não é difícil perceber o crescimento da presença masculina na seção de acompanhantes das páginas de classificados de boa parte dos jornais impressos no país atualmente ou mesmo na internet. Em Brasília, não seria diferente. São homens de classes e idades variadas com um interesse fundamental em comum: ganhar dinheiro rápido, às custas de pouco esforço.

Fotos e texto por Felipe Lima

Oliver, gato malhado, rec cheg 22ª

carinhoso mass atv/pass 9000****

090511_125432Em outubro de 2006 a BBC Brasil noticiou o desmantelamento de uma quadrilha acusada de exploração de prostituição masculina heterossexual na província de Badajóz, próximo a fronteira com Portugal, na Espanha. Os depoimentos colhidos pela repórter Anelise Enfante, autora da matéria, já constatavam o aumento de casos de prostituição masculina na Europa e preocupavam as autoridades. Um detalhe: segundo dados apurados por Anelise, 90% desses homens eram estrangeiros e mais da metade, brasileiros. Jovens que buscavam independência financeira e foram seduzidos por propostas de uma vida melhor longe de casa.

Não foi com diferente objetivo – embora em diferentes condições – que Oliver*, 22, ingressou há cerca de três anos – incentivado por um amigo que ele descobriu ser garoto de programa quando ainda cursava o ensino médio – num mundo onde sexo e dinheiro são sinônimos. Sua única fonte de renda, o dinheiro ganho com os encontros já lhe proporcionou dois anos de estadia na Itália, de onde voltou há oito meses e para onde pretende retornar em breve, e a conquista de alguns dos bens que almejava quando ainda morava com a avó, longe do pai que sequer o registrou e da mãe que manteve-se ausente durante um longo período da vida do rapaz. A lista inclui ainda itens que o jovem espera alcançar antes de deixar a atividade, daqui a planejados dois anos. “Quero comprar um imóvel, um carro e voltar a estudar; fazer medicina”, revela.

Profissionais?

Oliver não se intimida em afirmar que viver como garoto de programa “é uma maneira fácil, entre aspas, de conseguir dinheiro rápido”. “Fácil?”, pergunto. “Eu gosto de sexo”, esclarece. “Gosta do que faz, então”, concluo. “Gosto do que ganho”, corrige, afiado.

O cuidado dos garotos de programa com o corpo e a estrutura de funcionamento do serviço prestado são preocupações legítimas para quem encara a atividade com indispensável profissionalismo. A atenção pode ir da arrumação do ambiente – com preparação de luz, roupas de cama limpas e acessórios como camisinha e lubrificante à disposição – à forma do tratamento dispensado ao cliente.

Tal preocupação, todavia, não é uma característica meramente organizacional. É, sobretudo, uma tentativa de não envolver-se emocionalmente com quem procura pelo serviço. “O garoto de programa precisa ser frio, não há espaço pra confundir as coisas”, responde Oliver, quando pergunto se já apaixonou-se por um cliente. Ao final, a impressão que se tem é que a prostituição, não apenas em Brasília mas nos grandes centros urbanos, é organizada de maneira muito mais profissional (e discreta) do que antigamente.

Homem x Homem, Homem x Mulher, Homem x Homem+Mulher: os clientes

090514_125427Bissexual “desde sempre”, Oliver tem dificuldade em classificar o perfil dos clientes que o procuram. A variedade de perfis, entretanto, é um bom fator: quanto maiores as possibilidades, mais dinheiro em caixa. Por conta disso é raro encontrar garotos que atendam a somente homens ou somente mulheres.

As mulheres, no entanto, são minoria entre as pessoas que procuram garotos de programa. “Na maioria das vezes, quando elas vêm, estão acompanhadas do namorado ou marido. Vem o casal. É raro vir uma mulher sozinha”, afirma. A maior parte dos clientes são homens na faixa de 35 a 40 anos. Clientes bem mais novos ou bem mais velhos também costumam surgir. “Já atendi um senhor com oitenta anos”, conta.

Difícil para Oliver é saber ao certo quais razões motivam a procura por garotos de programa. “Os mais jovens vêm por curiosidade, mas existem os homossexuais que são casados com mulher e só transam com garotos de programa. Enfim, são muitos os motivos”, conclui.

Oliver divide com uma amiga a atividade e as despesas com o apartamento no primeiro andar de um prédio em área nobre da Asa Norte, em Brasília, onde atende 24 horas por dia os clientes que pagam de R$ 50 a R$ 100 reais para estarem em sua companhia. Mas o valor pode ser negociado. “O preço varia de acordo com o que o cliente quer. Tem cliente que só quer tocar, fazer carinho, conversar e fala: só tenho vinte reais”, diz, para completar em seguida: “Todo garoto de programa tem um pouco de psicólogo”.

*O nome foi alterado para preservar a identidade do entrevistado.

 

Antropologia, consciência, cinema

por Felipe Lima

Perlongher e o estudo da prostituição masculinaCamisinha, sim

Prostituição masculina no cinema

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Jamie Cullum, Lover, You Should Have Come Over

13/05/2009 · 1 Comentário

Cause it’s not too late

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Espiral do Silêncio (ou Poema banal para o amigo dinossauro)

07/05/2009 · 5 Comentários

dino

A Teoria da Espiral do Silêncio diz

que o amor não deve ser calado,

que aquilo que parece pode não ser

e pensei em tudo isso enquanto adormecia.

Noite agitada. Noelle-Neumann, Leminsky ecoavam em minha cabeça, misturavam-se a sonhos indecifráveis.

Pela manhã, a impressão de que eu vivia o que Calvino descreveu em seu microconto:

“Cuando despertó, el dinosaurio todavia estaba allí”.

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Ayo., Paléo Festival, Nyon

03/05/2009 · Deixe um comentário

“Je ne comprends pas francais
So you’ll have to speak to me
Some other way”

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The Cranberries, Empty

02/05/2009 · Deixe um comentário

Say a prayer for me
Help me to feel the strength i did

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Mera coincidência?

01/05/2009 · 1 Comentário

Robert De Niro, Anne Heche e Dustin Hoffman estão em Mera Coincidência, comédia corrosiva de Barry Levinson

Robert De Niro, Anne Heche e Dustin Hoffman estão em Mera Coincidência, comédia corrosiva de Barry Levinson

Sob que verdades estamos submetidos? Quantas existem? Em qual devemos acreditar? Certamente David Mamet e Hilary Henkin tinham a intenção de divertir o público mas não privá-lo de uma boa dose de reflexão quando adaptaram para o cinema American Hero, livro de Larry Beinhart, e transformaram-no em Mera Coincidência (Wag The Dog, EUA, 1997).

Fazendo comédia o diretor Barry Levinson costura a história de um produtor de cinema de Hollywood convidado a criar (com direito a cenas de ação, mocinha e herói) uma guerra contra a Albânia, com o intuito de desviar a atenção da população de uma acusação de assédio sexual contra o Presidente dos Estados Unidos da América, prestes a garantir a reeleição. Para isso, a Casa Branca conta ainda com a ajuda fundamental e quase involuntária da mídia, que escolhe expôr a guerra e alavanca os índices de aprovação do presidente.

“No nosso ambiente intelectual, a verdade que importa é a verdade midiática”

O jornalista, escritor, pesquisador e um dos fundadores na década de 90 do Fórum Social Mundial, Ignacio Ramonet, julga na frase acima, de sua autoria, a realidade da comunicação contemporânea – a que Mera Coincidência tão bem reproduz, ainda que com toques surrealísticos. Em uma avaliação do panorama atual percebe-se que a hegemonia da informação é tamanha que ao receptor de uma mensagem cabe apenas o papel de quem a aceita sem poder ou mesmo (e pior) sem saber questioná-la, pensá-la, inconsciente do processo de escolha das informações que chegarão até ele. É como se a falta desse conhecimento o colocasse na posição do cachorro balançado pelo rabo. O povo é manobrado pelo poder político com a ajuda de uma mídia igualmente manipulada – mas também manipuladora.

A suposta credibilidade de nossas grandes instituições de comunicação alia-se a referida pouca capacidade do público em avaliar a informação que recebe e tornam-se fatores para a criação de uma verdade midiática tal a qual refere-se Ramonet. O leitor/espectador acredita naquilo que o chega pelos noticiários e o que lhe chega por vezes é fruto de informação divulgada para atender a interesses escusos – políticos, principalmente. Os meios de comunicação, de posse de informações que os chegam, acabam por escolher o que irão divulgar, determinando assim que assunto será discutido pela opinião pública. Que presidente queremos? O que abusa de garotinhas em visita à Casa Branca ou o que é capaz de resolver conflitos sérios e manter a postura inabalável do país?

A mídia, como poder, não pode se desvirtuar de seu papel principal. O de garantir ao cidadão informação sem prejuízo de integridade, permitindo assim que ele possa usufruir da democracia de forma plena e seja capaz de autogovernar-se. Os meios de comunicação não devem atrelar-se a jogos políticos, tampouco devem decidir pelo leitor/espectador o que deve ou não ser discutido pela sociedade com base em interesses alheios a ele. Somente dessa forma poderemos creditar à mídia status de defensora dos direitos do cidadão, posição com que ganhou importância e chegou a ser reconhecida como quarto poder.

Por Felipe Lima

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Morcheeba, What’s Your Name

27/04/2009 · 2 Comentários

What’s your name?
Been watching everything you do
I can look but I can’t touch
There’s nothing wrong in wanting you

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Desabafo (ou Como foi aquele sábado de churrasco?)

25/04/2009 · 2 Comentários

Eu relutei (Deus sabe como) diante da oportunidade de transformar este espaço, ainda que minimamente, em mero diário eletrônico exibicionista ou em uma estante virtual vigarista de auto-ajuda. Mas permitam, abrirei uma exceção e botarei pra fora que:

eu odeio, perdão, menos fúria. Tenho dificuldades graves em me relacionar bem com quem joga lixo no chão. É crônico. Porque pra mim o ser humano (se assim posso chamá-lo) que é capaz de abrir a janela de um ônibus e jogar um papel de bala que seja em pleno trânsito não merece viver. Me faz perder a fé na humanidade, me deixa escapar o otimismo. Juro. Da mesma forma que:

se você prometeu faça o possível para cumprir. Mesmo. É feio, é imoral, é antiético dizer que vai e não ir. Então vá. Assuma os riscos, dê a cara a tapa, pise na jaca. Se não puder, justifique, dê satisfações, chore e faça com que percebam que você tentou, ao menos. Menos do que isso não basta, pois sim, as pessoas criam expectativas. Da mesma forma esperamos que:

o amor apareça ao dobrarmos a esquina.

Moça, jamais pense que porque olhamos para o seu decote queremos apenas sexo. Sexo tem mais importância em um relacionamento amoroso do que podemos supor mas, no fundo, a gente só quer saber se ao encostar a cabeça em seu peito vai sentir aquele nó no nosso desatar. Acredite. Pode não ser verdade absoluta, mas é meia verdade. Meia verdade hoje é o bastante, não?

Não, não é. E essa é a parte mais difícil.

Se não for pra se jogar por completo para que desperdiçar tempo e disposição?

O tempo é curto, a vida é uma contradição e a gente adora isso. Bem às vezes, é certo. Quando dá certo.

Leia isso imaginando que eu o digo no tom mais ridículo e no entusiasmo mais ridículo que possa existir e, sobretudo, suporte a leitura um pouco mais, pois gostaria de acrescentar algumas coisas:

Ame, irmãos e irmãs. E respeite. Muito piegas, eu sei. Eu sei. Mas é assim.

Seja honesto consigo mesmo, com os outros também. Enfrenta seus medos e toca pra frente.

A gente se decepciona muito por aqui, sabe? Então que valha a pena. Nem que seja um pouco.

E que o desgaste seja motor para mudanças maiores, melhores. Radicalize, se preciso (e é preciso, um bom número de vezes).

E doutor: estado depressivo é o caramba! Estou mais dentro do que fora, seguro a onda, eu boto fé em mim, meus defeitos me sustentam.

Era isso.

E, óbvio, quase esqueço. Não poderia pôr fim a esse texto sem eternizar: o importante é o que importa.

Agora sim, era isso.

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Morcheeba, Trigger Hippie

23/04/2009 · 2 Comentários

Standing in line of fire,
For the whole,
My soul,
Step codes,
The drums,
And sing,
Love the children,
Learn to live with everything

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Fleet Foxes, Mykonos

23/04/2009 · 1 Comentário

Brother, you don’t need to turn me away
I was waiting down at the ancient gate

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Shortbus

18/04/2009 · 3 Comentários

2006_shortbus_006

A atriz Sook-Yin Lee em cena de Shortbus, de John Cameron Mitchell

No banheiro do apartamento que divide com o namorado em Nova York James tem uma filmadora nas mãos, que usa para registrar seu órgão genital enquanto vê sua urina misturar-se à água da banheira. Em outro ponto da cidade Severin cuida da manutenção de um pênis de borracha e outros instrumentos de dominação, dividida entre a paisagem semi-deserta do local onde antes estavam as torres do World Trade Center e as perguntas de seu cliente masoquista. Com a filmadora – que funciona como uma espécie de intermediário na tentativa de compreensão do mundo - agora apoiada a um tripé em cima de um móvel na sala, James pratica auto-felação e é observado pelo vizinho do prédio à frente, enquanto Severin tenta conter a curiosidade de Jesse com chicotadas e desprezo. Em um outro prédio, num outro ponto da mesma cidade, Sofia e Rob transam em diferentes posições, atrelados a difentes móveis, por diversas vezes, culminando com o fim que toda relação sexual deve (ou deveria, no caso de Sofia) ter: um orgasmo.

A catarse sexual que dá início a Shortbus pode chocar até mesmo os menos propícios a assustarem-se com cenas de sexo explícito, embora esse talvez não seja o objetivo do diretor. O sexo, estrutura central do longa de John Cameron Mitchell, aparece como um recurso explorado com o intuito de revelar os personagens e suas questões fundamentais. Em muitas ocasiões, Mitchell até tenta temperá-lo com bom humor, mas esbarra na tristeza e complexidade de seus sete papéis principais, o que transforma seu segundo trabalho no cinema numa espécie de filme para também ser pensado, não apenas visto.

“É como nos anos 60, mas com menos esperança”

Mitchell desenvolveu os conflitos dos personagens junto aos atores - encontrados por meio de uma seleção que começou com um anúncio na internet e terminou com homens e mulheres escolhidos pelo diretor e sua equipe de produção com base na compatibilidade sexual de seus perfis – e escalou, para rodar as cenas de orgia, figurantes destemidos denominados “sextras”, encorajados por uma aura de celebração que torna-se evidente apenas no fim do filme, numa festa libidinosa cômico-romântico-dramática que acaba, claro, em um orgasmo contagiante.

“Voyerismo é participação”

Se Mitchell faz de Shortbus um filme para também ser pensado, o fim da festa, portanto, talvez seja o melhor que o diretor tenha a nos proporcionar. A consciência da efemeridade das coisas acaba por unir os frequentadores do clube marginal que dá nome ao filme. E, numa adaptação da realidade dos personagens na cena final do longa ao mundo expoente pós 11/09 - presente, aliás, de forma tão sutil e sensível no roteiro -, um quase escancarado Carpe Diem aparece ao subir dos créditos. É um recado otimista – sim -, vindo de uma produção perigosa e convidativa.

Por Felipe Lima

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Feist, My Moon, My Man

18/04/2009 · 1 Comentário

Take it slow
Take it easy on me

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Nina Simone, Feelings

16/04/2009 · 1 Comentário

A emblemática performance de Nina Simone para Feelings, de Morris Albert (ou Maurício Alberto), quase um manisfesto, cantada até por Didi Mocó e ícone de má (?) qualidade musical.

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Poesia do Otimismo

12/04/2009 · 2 Comentários

A felicidade
de certo parecia-te algo tão inatingível
quanto a própria compreensão da vida e do amor, não?

Os sorrisos, pareciam a maquiagem perfeita
para o teu rosto
e eram
ainda que não fossem sinceros

Mas eu te digo:
somos felizes, sim
não precisamos ou devemos rir de tudo
e demonstrar apreço apenas ao que é gracioso
a própria beleza da vida não consiste apenas em gargalhadas hemorrágicas
mas também na honestidade da lágrima caída pelo motivo que for

É a balança
o que nos realiza é e será sempre
a dor e a alegria de ser o que somos e o que sentimos

Dias bons nos pertencerão
dias ruins nos incomodarão
e saberemos somente que a vida acaba com a ida para a cama
e no dia seguinte o que resta é um fio de lembrança e a intuição que guia
e permite que saibamos o caminho do dia novo que chega

Ainda que estejamos perdidos
ou não
não se desespere, nem me ache inapropriado
possivelmente seremos felizes
felizes, felizes
rindo do dia em que por um instante pensamos que tudo era tão simples
nossas verdades eram irrefutáveis
e nossas ofensas indesculpáveis.

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Deixe Morrer

11/04/2009 · 2 Comentários

Hora dos nados-mortos, de Maria João Franco

O corpo cede
ao que a alma propõe
sem saber que o desejo não pode
ser maior que a vontade

Então me dizem: como vai?
E respondo:
morrendo.

Porque tudo continua sem fazer sentido se você não está aqui.

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Feist, 1234&Mushaboom

10/04/2009 · Deixe um comentário

One, two, three, four, five, six, nine, and ten
Money can’t buy you back the love that you had then

___________

But in the meantime I’ve got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay

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Paulo Leminski

05/04/2009 · 2 Comentários

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A noite – enorme

tudo dorme,

menos teu nome.

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Ayo., Life is Real

04/04/2009 · 1 Comentário

Some people say that I’m too open

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Jill Scott, Cross My Mind

02/04/2009 · 1 Comentário

You just running cross my mind

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Jill Scott, My Love

31/03/2009 · 1 Comentário

She scrubs your back, washes your clothes
Gives you everything that you ask for
But don’t you ever want more?
Cause my love
My love is deeper
Tighter
Sweeter
Higher
Flyer
Didn’t you know this,
Or didn’t you notice?

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Um Sorriso e Um Bocejo

28/03/2009 · 1 Comentário

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Um anti-acaso
um singelo desequilíbrio
um atordoante estímulo à paixão, três vezes

Um ímã
palavras contundentes
e a certeza de que o destino é a repetição do ciclo?

Seus lábios são desbravadores indóceis
e minhas mãos, contundentes laços
pedindo a permanência da paz que se soma e dorme e descansa
fazendo do sorriso e do bocejo, o caminho

Os rostos desarmados e as palavras incontidas
soam como o preenchimento completo dos níveis inteiros
declarações de sentido absoluto
que mentem e enganam, no entanto
ou não

“Tudo bem”.

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